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Como encontrar ideias para livros: um guia prático

Porque é que algumas ideias não funcionam? O que separa uma boa ideia de uma ideia medíocre? Ao longo dos anos, tive várias ideias para livros, demasiadas até, mas também fui percebendo que muitas delas eram péssimas, que ninguém iria querer ler esses livros. Neste artigo, vou partilhar contigo porque é que algumas ideias não funcionam e quais os ingredientes que uma história deve ter para cativar os leitores.

Porque é que algumas ideias fracassam

1. Clichés e tropos: Enredos repetidos e personagens previsíveis podem tornar uma história aborrecida. Os leitores querem perspetivas frescas e narrativas únicas. Isto não significa que não deves recorrer a tropos, mas tens de encontrar uma forma de tornar a tua história original. Vejamos o exemplo de “Ilusão de Amor à Espanhola” de Elena Armas: a autora recorreu ao tropo “de inimigos a amantes”, mas introduziu a temática da cultura espanhola, conseguindo assim diferenciar-se de outros livros do mesmo género.

2. Falta de conflito: O conflito impulsiona uma história. Sem ele, a narrativa pode parecer sem rumo e aborrecida. Em “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, o conflito externo é entre Harry e Voldemort e é esse conflito que faz avançar o enredo. Harry encontra a Pedra Filosofal e Voldemort, que matou os pais dele, quer a pedra para poder governar Hogwarts. Mas, no livro, existe também um importante conflito interno: Harry sente-se sozinho no mundo e anseia por ter um sítio a que possa chamar casa, com pessoas que o amem. Sem estes conflitos, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” não teria tido o sucesso que teve.

3. Personagens superficiais: Personagens sem profundidade ou mal caracterizadas não conseguem envolver os leitores. As pessoas são atraídas por personagens com quem se podem identificar ou que os intrigam. Em “Orgulho e Preconceito”, Elizabeth Bennet é um exemplo de uma personagem com profundidade: corajosa, inteligente e independente, com um sentido de humor espirituoso. Considera-se uma jovem correta e uma boa juíza de carácter. No entanto, ao longo do romance, Elisabeth apercebe-se de que não é perfeita; por vezes, julga mal as pessoas e o seu orgulho assenta nesses erros.

4. Conceitos não originais: Com tantas histórias por aí, a originalidade é essencial. Isso não significa que não possas recorrer a tropos literários, muito pelo contrário, mas tens de encontrar uma perspetiva única, algo que diferencie o teu livro de todos os outros.

Como Neil Gaiman disse:

“A única coisa que temos e que mais ninguém tem, somos nós próprios. As nossas vozes, a nossa história, a nossa visão. Por isso, escrevam e desenhem e brinquem e dancem e vivam como só vocês conseguem.”

– Neil Gaiman, Discurso aos finalistas da Philadelphia’s University of the Arts (maio de 2012)

Como encontrar ideias para livros

1. Lê muito: Ler uma variedade de géneros e autores pode fornecer uma riqueza de inspiração. Como Stephen King escreveu, “Se queres ser escritor, deves fazer duas coisas acima de todas as outras: ler muito e escrever muito.” A escritora Sarah J. Maas, por exemplo, inspirou-se na história de “A Bela e o Monstro” para escrever a “Corte de Espinhos e Rosas”, que viria a tornar-se um bestseller a nível mundial.

2. Olha para a História e Mitologia: Muitas grandes obras literárias têm raízes em eventos históricos ou mitos. Estas fontes oferecem narrativas ricas e testadas pelo tempo que podem ser reimaginadas de diversas formas. A Segunda Guerra Mundial, por exemplo, inspirou muitos escritores ao longo das décadas. Markus Zuzak é um desses autores. O seu livro “A Rapariga que Roubava Livros”, passado na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, oferece ao leitor uma história original, contada por um narrador improvável, a Morte.

3. Vê filmes: O cinema pode ser uma poderosa fonte de inspiração, até porque muitos dos filmes tiveram origem em livros. Além disso, os filmes mais comerciais seguem a mesma estrutura narrativa que muitos livros: a estrutura em três atos.

4. Olha para o mundo em redor: Lê artigos de revistas e jornais, vê documentários. Tal como Joseph Conrad escreveu: “A realidade, como sempre, suplanta a ficção.” O escritor Afonso Reis Cabral, por exemplo, inspirou-se em eventos reais para escrever o seu livro “Pão de Açúcar”.

5. Tira proveito de experiências pessoais: Algumas das histórias mais poderosas vêm de experiências ou emoções pessoais. Reflete sobre eventos significativos na tua vida e pensa em como podem ser traduzidos em ficção. A obra “Comer, Orar, Amar” de Elisabeth Gilbert é um exemplo perfeito. O livro é baseado na cruzada pessoal da autora para encontrar paz e equilíbrio na sua vida, enquanto viajava por Itália, Índia e Bali.

Um método eficaz para encontrar ideias que funcionem

1. Brainstorm de ideias – começa por escrever uma lista de ideias, que, tal como referido na secção anterior, pode ser baseada em:

  •   Livros que leste;
  •   Filmes que viste;
  •   Notícias;
  •   Factos históricos;
  •   Histórias da vida real;
  •   Experiências pessoais.

2. Avalia as ideias – faz o seguinte exercício para cada uma das ideias da tua lista:

  •  Estás entusiasmado com essa ideia?
  •  Consegues desenvolver um enredo de um livro a partir dessa ideia?
  •  Alguém vai querer ler essa história?
  •  Alguém se vai importar com o que acontece à personagem principal?

Se chegares à conclusão de que nenhuma das ideias te agrada, elabora uma nova lista. Repete até escolheres uma ideia. O tempo “perdido” nesta fase pode evitar que passes semanas ou meses a escrever um livro que não te entusiasma.

3. Expande a ideia:

  •  Quem é a personagem principal?
  •  O que motiva a personagem? Qual é o seu objetivo?
  •  Que obstáculos estão no seu caminho?
  •  Como é que a personagem vai evoluir ao longo da história?
  •  Onde e quando se passa a história?

E se?

Testa várias opções para a tua história, colocando a questão “o que aconteceria se?”.  Tomemos o exemplo de Harry Potter: o que aconteceria se um órfão, criado pelos tios, fosse convidado para uma escola de feitiçaria e recusasse? O que aconteceria se o primo dele fosse para a escola em vez dele? Ou o exemplo de Orgulho e Preconceito: o que aconteceria se Mr. Darcy se apaixonasse pela irmã mais nova de Elizabeth? O que aconteceria se Elizabeth decidisse que não queria casar com ninguém?

Refina a ideia até estares satisfeito. Se atingiste um bloqueio, deixa passar dois ou três dias e depois retoma o processo. Por vezes é necessário algum afastamento para podermos analisar as ideias com mais clareza. Repete até encontrares a ideia vencedora.

Aceitar o fracasso

Nem todas as ideias serão vencedoras, e está tudo bem. Aceita o processo de tentativa e erro enquanto procuras uma história que funcione.

Conclusão

Gerar ideias que possas transformar num livro envolve uma mistura de criatividade, observação e prática. Através da procura de inspiração em várias fontes e do desenvolvimento de personagens ricas, podes escrever histórias que cativem os leitores. Lembra-te, cada escritor tem uma voz e uma perspetiva únicas — o teu trabalho é descobri-la e deixá-la brilhar nas tuas histórias.

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